“Todo casal que descobre estar grávido experimenta um misto de alegria e preocupação”, diz Paulo Araújo, pai de duas meninas e analista de produto em São Paulo. “Com a chegada da nossa primeira filha, a Manuela, eu havia ingressado recentemente em uma nova empresa e, naquela época, tinha muitas incertezas. Para nossa grata surpresa, descobrimos que a empresa possuía um olhar especial voltado ao bem-estar dos colaboradores e seus dependentes. Fomos inseridos em um excelente plano de saúde, o que trouxe tranquilidade para nós. Além disso, contamos com um curso preparatório para pais e pude desfrutar de uma licença-paternidade de 20 dias para auxiliar nos primeiros dias de vida da Manu.”
Manuela, agora com 9 anos, tem uma irmã mais nova, Isabela, de 6 anos. Seu pai, Paulo, continua trabalhando na mesma empresa, a Special Dog Company, que eu, Erik, fundei com meu irmão em 2001. Com sede no estado de São Paulo, hoje contamos com mais de 1.800 funcionários e nos tornamos uma das três maiores empresas de alimentos para animais de estimação do Brasil.
Acreditamos fortemente que uma das razões do nosso sucesso é a convicção de que o cuidado genuíno com as pessoas deve estar no centro da nossa identidade como empresa. O bem-estar na primeira infância é o foco principal de nosso investimento na comunidade local — juntamente com o bem-estar animal e a preservação ambiental —, e nosso trabalho com as crianças começa pelo cuidado com os pais que trabalham conosco. Esse cuidado com os pais, por sua vez, ajuda a criar uma cultura empresarial positiva para todos.
Promovendo uma cultura empresarial de cuidado
Desde o início, tivemos um interesse genuíno em praticar um capitalismo mais consciente. Ao longo de nossos 23 anos de história, a Special Dog Company foi reconhecida pela Fundação ABRINQ como uma “Empresa Amiga da Criança”. Outros reconhecimentos vieram em seguida, como a designação de “Empresa Cidadã” pelo governo federal, em razão de nossas políticas de licença parental estendida.
Como mencionado por Paulo, os recém pais têm direito a 20 dias de licença remunerada. As novas mães retornam ao trabalho após 6 meses de licença remunerada e, nos 12 meses seguintes, recebem um salário mínimo adicional além do seu salário integral. Essa renda extra ajuda a facilitar a transição para a maternidade, permitindo que elas contratem ajuda adicional, cubram custos médicos inesperados ou comprem produtos para os filhos. Além disso, os pais recebem um enxoval para o bebê com mais de 70 itens, incluindo banheira, roupas, fraldas e toalhas.
Mesmo quando os filhos crescem, a cultura da nossa empresa continua oferecendo apoio aos pais. Por exemplo, nunca tivemos registro de uma mãe ou pai que precisasse se ausentar do trabalho por responsabilidades inesperadas com os filhos e não tivesse autorização para isso. Não precisamos de uma política formal da empresa sobre o tema. Todos os nossos gestores entendem que proporcionar flexibilidade para a vida familiar é essencial para a nossa maneira de trabalhar.
Na comunidade, somos reconhecidos por nosso foco nas famílias. No início de 2024, por exemplo, a psicoterapeuta Amanda Balielo nos procurou com uma proposta para apoiá-la na criação de um novo projeto de movimentos de dança chamado Baby Fusion. Essa metodologia tem como objetivo ajudar as mães no período do puerpério, enquanto fortalece o vínculo com seus bebês recém-nascidos.
“Através da dança”, explica Amanda, “incorporamos elementos que visam fortalecer a musculatura, melhorar a postura e criar momentos únicos de conexão entre as mães e os bebês. O Baby Fusion proporciona bem-estar, autoestima, equilíbrio físico e mental para as mães nesse período tão delicado de gestação e puerpério.” Esse projeto se tornou um benefício para nossos funcionários, com aulas realizadas em um centro cultural que financiamos para atender tanto nossos colaboradores quanto o público em geral. O centro foi projetado para promover o senso de comunidade e valorizar a arte e a cultura. Oferecemos aulas de música, artes circenses, balé, coral, artesanato, costura e culinária, entre outras, para cerca de 650 alunos de 4 a 80 anos ou mais, todos os anos.
Como o trabalho e a família caminham juntos
Ao longo dos anos, aprendemos a construir relacionamentos respeitosos e equilibrados com nossos colaboradores, buscando um ambiente de trabalho justo e transparente. Enxergamos o emprego como uma oportunidade contínua de cuidado: a empresa cuida genuinamente de seus funcionários, que, em troca, cuidam do ambiente de trabalho, dos processos e dos produtos. Isso se reflete em nossa excelente taxa de retenção, com uma rotatividade de apenas 2,5%, gerando economias significativas e formando uma equipe mais engajada. Para efeito de comparação, a média de rotatividade no Brasil é de 4,5%. Estudos mostram consistentemente que empresas que promovem o equilíbrio entre vida familiar e profissional colhem benefícios como baixa rotatividade, boa retenção de talentos e maior produtividade. Em nossa experiência, não oferecer essas condições é uma visão de curto prazo.
A história da Beatriz Rosa
É comum, em entrevistas de emprego, perguntarem se você tem filhos. Muitas vezes, fica evidente o quanto isso é percebido como um “fardo” para a organização, especialmente quando se trata de uma mãe. Em 2019, aos 23 anos, fui contratada por uma empresa renomada. Porém, ao descobrir que estava grávida, senti meu mundo desmoronar. A resposta do meu gerente foi: “Não temos certeza se vamos pagar pela sua licença-maternidade, e já tenho alguém em mente para o seu cargo.
Mesmo assim, continuei trabalhando. Passei por uma gravidez de alto risco e, apesar do laudo médico, trabalhei até o parto. Depois disso, precisei continuar trabalhando durante a licença- maternidade. Os primeiros 30 dias foram de pura exaustão, tentando equilibrar os cuidados com um recém-nascido e as demandas de uma posição estratégica. Esse período me levou à depressão pós-parto, e a sensação de não ser capaz de lidar com tudo foi devastadora.
Voltei ao trabalho em tempo integral quando meu bebê tinha apenas 3 meses de vida. Não havia um ambiente adequado para extrair o leite, e eu era obrigada a improvisar, muitas vezes recorrendo ao banheiro. Cuidar do meu filho era um sonho, e eu me dedicava intensamente para torná-lo realidade.
Foi então que encontrei uma vaga na Special Dog. Fui chamada para uma entrevista e fiquei surpresa ao perceber que ninguém perguntou se eu tinha filhos. O assunto surgiu espontaneamente – afinal, toda mãe adora falar sobre seus filhos. Mas, ao contrário das experiências anteriores, não houve questionamentos sobre quem cuidaria deles ou como eu administraria minha rotina.
Durante minha orientação, me entusiasmei ao descobrir que a empresa oferecia uma área de amamentação para mães, cursos para pais e licença-maternidade estendida. Eram pequenos gestos, mas extremamente importantes para o apoio às famílias. Comecei a trabalhar na Special
Dog quando meu filho mais novo tinha 7 meses de idade e enfrentava sérios problemas respiratórios. Por isso, precisávamos levá-lo a outra cidade para consultas e a empresa sempre me apoiou.
Não há qualquer julgamento sobre minha capacidade de equilibrar trabalho e vida familiar. Pelo contrário, sou incentivada a descansar e brincar com meus filhos nos finais de semana. A empresa promove eventos para as famílias, proporcionando momentos especiais para todos nós. Esse ambiente acolhedor gera um senso de pertencimento e equilíbrio, além da certeza de que nosso papel como pais é valorizado e compreendido. É um privilégio poder falar sobre o amor pelos meus filhos em um ambiente de trabalho que o respeita, pois o amor que cultivamos em casa reflete diretamente no local de trabalho.
De muitas maneiras, a vida de nossas famílias influencia diretamente os valores que cultivamos no trabalho. Isso é evidente na família de nossos fundadores e proprietários, com membros da segunda geração agora ocupando cargos executivos e comprometidos com a continuidade da cultura da empresa. Para mim, João, essa relação ganhou um significado especial – quando me tornei pai, comecei a questionar meus valores e a reconhecer a importância de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa.
Acreditamos que, para os colaboradores, a experiência de um ambiente acolhedor e inclusivo no trabalho – onde passamos cerca de 1/3 do nosso tempo – pode inspirar a criação de um ambiente harmonioso também em casa. Além disso, quando o empregador valoriza a parentalidade e reconhece que os filhos representam uma potência transformadora na vida de seus pais, os vínculos familiares se fortalecem. Os pais se sentem mais confiantes em relação à paternidade ao saber que o trabalho amoroso que realizam fora de casa também é valorizado no ambiente de trabalho.
Como empresa, a Special Dog oferece aos clientes a oportunidade de cuidar de seus animais de maneira incrível. Nossos clientes entendem que, quando nós, humanos, tratamos os cães com carinho e amor, eles retribuem com o mesmo afeto. É claro que o relacionamento entre tutores e seus pets é bem diferente do vínculo entre empregadores e colaboradores ou entre pais e filhos. Ainda assim, acreditamos que há algo em comum entre todos esses relacionamentos: gentileza gera gentileza.









